A síndrome de Susac (SuS) é uma vasculopatia caracterizada pela tríade de distúrbios neurológicos, auditivos e oftalmológico. A tríade completa está presente em apenas 13% dos pacientes no início da doença.
A oclusão de ramos da artéria retiniana é descrita na angiografia com fluoresceína e pode não resultar em sintomas visuais. Hiperintensidades no corpo caloso na sequência FLAIR podem estar presentes na RM do crânio.
FICA A DICA! Diante deste cenário, o principal diagnóstico diferencial é a esclerose múltipla, e o tratamento imunológico para esclerose múltipla pode exacerbar o quadro clínico da SuS. Desta forma, é importante que tenhamos artifícios para tentar diferenciá-las.
QUAL FOI O OBJETIVO?
Avaliar a prevalência e a significância da impregnação leptomeníngea na sequência FLAIR pós-contraste na SuS.
COMO FOI FEITO?
Dois neurorradiologistas revisaram as imagens de RM (em aparelhos 3T) e um oftalmologista, os dados oftalmológicos (incluindo angiografia com fluoresceína) dos pacientes do grupo com SuS (9 pacientes) e no grupo controle (73 pacientes com neurite óptica e diagnóstico de esclerose múltipla ou síndrome clínica isolada).
E O QUE FOI OBSERVADO?
- A frequência de impregnação leptomeníngea foi maior nos pacientes com síndrome de Susac:
Síndrome de Susac: 5/9 – 56% > Grupo controle: 6/73 – 8% ( P = 0,002)
- O número de áreas com impregnação leptomeníngea (≥ 3) foi maior nos pacientes com síndrome de Susac:
Síndrome de Susac: 5/9 – 56% > Grupo controle: 0/73 ( P <0,001)
- O acometimento da fossa posterior pela impregnação leptomeníngea foi maior nos pacientes com síndrome de Susac:
Síndrome de Susac: 5/9 – 56% > Grupo controle: 0/73 ( P <0,001)
Também houve associação entre recidiva clínica e aumento da impregnação leptomeníngea e da carga lesional no parênquima: OR = 6,15 ( P = 0,01) e OR = 5 ( P = 0,02), respectivamente.
O QUE ELES CONCLUÍRAM?
OUTRA DICA! Portanto, a impregnação leptomeníngea na sequência FLAIR pós-contraste pode pode auxiliar no diagnóstico e fortalecer os critérios de diagnóstico radiológico para SuS. O número de áreas com impregnação leptomeníngea ≥ 3 e a localização da impregnação na fossa posterior são achados que favorecem SuS e devem ser descritos no relatório. O aumento da impregnação leptomeníngea pode, ainda, auxiliar na predição de recidiva clínica.
Fonte:
S. Coulette et al. AJNR.