Prenatal Evaluation of Intracranial Hemorrhage on Fetal MRI: A Retrospective

A ressonância magnética fetal tem se tornado um importante instrumento para avaliação pré-natal cerebral com papel diagnóstico, contribuindo para a conduta terapêutica. Esta técnica permite a avaliação de anormalidades parenquimatosas que não são identificadas pela ultrassonografia, além de confirmar e elucidar a presença de hemorragia intracraniana (HIC).

A presença de HIC é rara, com incidência estimada de 0,6-1/1000 casos, sendo principalmente relacionada ao sangramento da matriz germinal (SMG). Apesar dos sistemas de classificação de Papile e Burstein serem descritos para tomografia, observa-se seu uso também na ultrassonografia. Observa-se uma incidência em torno de 25 a 40% de SMG em neonatos prematuros com menos de 32 semanas de idade gestacional e nos com peso ao nascimento inferior a 1.5 kg. É importante salientar que a presença de SMG é considerada um marcador de morbimortalidade aumentada nos neonatos sobretudo com graus 3 e 4 de SMG.

Os autores objetivaram avaliar fetos com hemorragia intracraniana por meio de RM.

Foi realizado um estudo unicêntrico retrospectivo de janeiro de 2004 a maio de 2020 incluindo fetos com RM com qualidade diagnóstica para a detecção de hemorragia intracraniana. Todos os exames foram realizados em aparelho de 1.5 Tesla, incluindo sequências axial, sagital e coronal T2 CCFSE e FIESTA, além de DWI, EPI e T1. As hemorragias foram classificadas como presentes ou ausentes nas diversas sequências de RM; como relacionadas a SMG ou não. As SMG foram classificadas segundo a classificação de Burstein e papile. Hemorragia cerebelares foram descritas separadamente. Alterações no doppler obstétrico também foram avaliadas, além de outros exames de neuroimagem realizados no período perinatal.

Prenatal Evaluation of Intracranial Hemorrhage on Fetal MRI: A Retrospective

Foi observado uma incidência de 2.9% de HIC na população estudada, com idade média gestacional de 25 semanas durante a realização da RM fetal, sendo 30% de gestações múltiplas, com idade média materna de 28 anos. a indicação mais comum de RM foi suspeita de anomalia cerebral.

Os fetos com HIC foram divididos em 2 grupos: relacionados a SMG ou não. SMG Foi identificada em 61% dos indivíduos sendo a maioria unilateral. A presença de hemorragia cerebelar isolada foi vista em 54% dos indivíduos. Outros achados foram observados em 80% dos pacientes, incluindo estenose aquedutal, malformação de Chiati tipo 2, transfusão gêmeo-gêmeo e anomalias extracranianas congênitas. As sequências T2 e EPI foram positivas para hemorragia em 85% e 96% dos casos respectivamente. A média de tamanho ventricular foi de 13 mm com 60% dos fetos com ventriculomegalia. Observou-se uma correlação significativa entre o tamanho ventricular e o grau de SMG.

Prenatal Evaluation of Intracranial Hemorrhage on Fetal MRI: A Retrospective

Quanto aos achados de imagem pós-natais, um total de 40 neonatos (65% com SMG e 35% sem SMG) realizaram exames de imagem, cuja maioria demonstrou uma melhora da HIC na maioria dos recém-nascidos, com diminuição global do volume de hemorragia. Houve uma importante diferença entre a imagem pós-natal por USG e por RM quanto avaliação do parênquima cerebral relacionado ao grau de SMG, Sendo menor a discrepância nos graus menos severos de SMG. Foi observada uma maior necessidade de derivação ventricular nos pacientes com HIC não SMG comparado ao grupo com SMG. Além disso foi observada uma maior incidência de morte neonatal nos pacientes com HIC não SMG, sendo no grupo SMG maior número de mortes no grau 3.

Prenatal Evaluation of Intracranial Hemorrhage on Fetal MRI: A Retrospective

 CONCLUSÃO

Os autores concluem que esse trabalho é a maior coorte unicêntrica já publicada sobre HIC fetal examinada através de RM, identificando alguns pontos importantes:

1. A sequência EPI É muito sensível para a identificação de HIC, sobretudo em associação com a sequência T2-SSFSE.

2. Os autores identificaram um significativo aumento de morte neonatal no grupo não SMG versus o grupo SMG, sendo as alterações parenquimatosas mais severas nos graus mais avançados de SMG, observando-se neste mesmo grupo a maior necessidade de derivação ventricular e o tamanho médio ventricular maior.

Fonte:

K.N. Epstein, B.M. Kline-Fath, B. Zhang, C. Venkatesan, M. Habli, D. Dowd, and U.D. Nagaraj

AJNR, Out 2021

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